Réveillon

O metrô estaria com as cancelas liberadas da tarde de 31 de dezembro até meio-dia de primeiro de janeiro, informação divulgada por toda cidade. Para o momento da virada o acesso foi maciço, moradores e turistas enchendo todos os trens. No vagão um carinho com um bebê praticamente recém-nascido e as pessoas ao redor se esforçando para não cair dentro dele. Naquele frio, num metrô insuportavelmente cheio, jamais sairia com um bebezinho para passar o réveillon nas ruas de Paris. Mas esses gauleses são todos uns loucos… O destino era um só, algum lugar próximo à Torre Eiffel. Um espaço na Place du Trocadéro, que parecia ser impossível, foi encontrado.  Iluminada, com mudanças de cores numa infinidade de matizes e combinações, a torre era o foco da atenção da multidão que, civilizada, conversava baixo, parada e bebendo champanhe. Todo o entorno lotado e estranhamente quieto para a ocasião. Faltando uns dois minutos pra meia-noite uma senhora passa apressada por nós já em direção ao metrô, possivelmente preocupada em ser das primeiras a entrar no carro de volta pra casa. À meia-noite a torre dá umas piscadas e acabou. Começa-se a movimentação de volta para as estações. Caímos na gargalhada. O réveillon em Paris havia acabado… Circulamos pelas ruas, já que entrar numa estação era uma missão impossível. Mas em pouco tempo tudo havia terminado. Ficou a torre com sua iluminação básica e o frio, que a partir de então intensificou. Os próximos dias seriam dos mais frios em Paris naquele inverno.

Antônio Paulo

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