Cidades achadas

Tiradentes e outras cidades mineiras sediarão o Festival de Inverno da UFMG que começou nesse final de semana, escutei hoje cedo no rádio. Logo em seguida, ou um pouco antes, não lembro bem a ordem das notícias, falou-se sobre os 300 anos da elevação de Ouro Preto à categoria de vila, àquela época com o nome de Vila Rica. Carlos Bracher, pintor mineiro que lá vive há muitos anos, falou em entrevista sobre os problemas do crescimento desordenado da cidade e o risco de dano a patrimônio tão precioso. Pouco depois de escutar essas notícias, folheando uma revista, li uma pequena matéria sobre Bruges, na Bélgica. Poderosa cidade mercantil nos séculos XIV e XV caiu em declínio a partir do final de Idade Média. Fiquei pensando nas três cidades que, de forma inesperada e simultânea, foram parar em minha mente. Assim como Bruges, também Tiradentes e Ouro Preto se preservaram devido a certo período de ‘esquecimento’. Ouro Preto após a mudança da capital do Estado para Belo Horizonte e Tiradentes com o declínio da atividade mineradora. Essa história é bastante comum e muitas das cidadezinhas históricas e turísticas que temos hoje no Brasil e no mundo se mantiveram como pequenas jóias urbanas devido ao isolamento em determinada época. E modernamente ressurgem para o turismo, voltam a desenvolver-se, sofrem tombamentos, importantes para sua preservação, mas não recebem a atenção devida ao seu novo papel urbano. Em Bruges só vi belezas. No entanto, ao turista estrangeiro muitas coisas passam despercebidas, por isso não posso opinar. Ouro Preto e Tiradentes, também cheias de encantos, conheço bem. Acho até que existe uma política razoável de preservação e exploração racional do turismo. Mas parece-me também que essas políticas são muito limitadas e restritas aos interesses mais evidentes dos turistas. Não levam em conta as cidades em toda a sua complexidade e, principalmente, não levam em conta o bem-estar de seus moradores comuns. E agora, com esse aumento estrondoso e massificado do turismo em todo o mundo, aumentam os riscos de maior deterioração de patrimônios centenários. O turismo está na moda. Alguém pensa em preservar as suas fontes?

Antônio Paulo

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