Rivaz

Adoro me dedicar aos preparativos de uma viagem, já escrevi sobre isso aqui no blog. Uma viagem é para mim um investimento não só financeiro, mas, principalmente, emocional e afetivo e, por estes motivos, merece todo o cuidado para que nada saia errado. Mas é claro, que numa viagem com sua estrutura básica bem planejada, as boas surpresas são sempre bem-vindas. Trazem o inesperado que pode encantar mais do que aquele passeio esperado e organizado em detalhes. Até mesmo surpresas desagradáveis podem, depois de superados os inconvenientes do momento, transformar-se em casos pitorescos e engraçados.

Rivaz é uma cidadezinha localizada nas encostas às margens do Lac Léman que nós provavelmente só conhecemos por causa de dois imprevistos: uma estrada alpina fechada por causa da neve que nos obrigou a mudar o roteiro e a falta de vaga nos hotéis entre Lausanne e Genebra, região de intenso fluxo de turismo de negócios. Ambos acontecidos no mesmo dia muito nos aborreceu na hora. Mas depois percebemos que fomos recompensados pela descoberta de Rivaz. Já era tarde, estávamos cansados e não achávamos vaga nos hotéis, todos lotados. Na estrada rente à margem do lago encontramos um hotel isolado – tinha apenas uma casa em frente, do outro lado da estrada – mas cheio de carros na porta. Arriscamos perguntar e conseguimos os três quartos que precisávamos. Os carros na porta eram por causa do restaurante, uma pizzaria, que depois percebemos ser dos mais movimentados da região. O hotel – Le Quatre Saisons – era simples, quartos em cima, restaurante embaixo. Combinamos duas noites. Os quartos de frente tinham vista para o lago, que estava lindo na noite enevoada e azulada. Não reparamos no entorno, pois já não dava para ver muita coisa. No dia seguinte ao acordarmos percebemos que estávamos bem no meio dos vinhedos. As casas da cidadezinha – realmente muito pequena – começavam mais pra cima na colina. O hotel ficava deslocado, tendo a estrada e o lago a sua frente e os vinhedos ao seu redor. Paisagem mais agradável impossível. Animados com a beleza do lugar, sua localização – entre Vevey e Lausanne – e com a simpatia dos funcionários – todos portugueses – reservamos mais uma noite. Foi mesmo um hotel de charme achado ao acaso.

Toda a região é produtora de vinhos e Rivaz – no distrito de Lavaux, cantão do Vaud – tem um número impressionante de caves considerando seu tamanho reduzidíssimo. Lá encontramos um inesperado ‘bar à vin’ Bacchus Vinobar que já estava fechado às oito da noite. Funcionava num horário bem restrito, de acordo com um escrito em sua porta, algo como 17:00 às 20:00. Fizemos questão de voltar no dia seguinte e fomos atendidos por um senhor, num ambiente moderno e minimalista onde provamos o vinho branco da região. Honesto, mas sem nada de especial. Valeu pelo ambiente e pela conversa com o simpático proprietário, fã incondicional do vinho suíço. 

Antônio Paulo

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