Nas margens do Douro

Foram 17 dias em Portugal, lugar com sabor de história, que lembra o passado, que trás a melancolia, que contagia de alegria – uma vez lá e compreendemos seus escritores. Em Lisboa, 6 dias e depois de carro subindo até Bragança, passando por Piódão e Linhares. Depois o Porto, e na descida, um pouco do litoral, com Nazaré e Praia de Mira. Mirandela, Leiria, Batalha, Alcobaça e Óbidos no retorno a Lisboa.

Na ida para o Porto um trajeto pelo Alto Douro Vinhateiro com suas quintas, onde o vinho é produzido. Lá de cima o rio preenche a visão serpenteando as serras. Não é o Tejo a levar caravelas a alargarem o mundo, mas o Douro e seus afluentes a escorrer seu ouro líquido. Começamos por Alijó, pequena, fria e solitária, mas simpática aos viajantes. Um dos melhores hotéis da viagem, da rede Pousadas de Portugal. Aconchegante, quarto e banheiros enormes, cama mais que confortável e seus lençóis e edredons brancos agasalhando o frio de janeiro. Uma volta pelo centro da cidade e já é noite. Banho e a procura por um restaurante. Todos fechados numa noite cotidiana de inverno, sobrou-nos o hotel. A primeira experiência com alheira – um embutido de carnes e pão. Decepção no sabor, que pena. Infelicidade ou falta de competência do chef, mas um dos piores jantares da viagem. Mais tarde a certeza que o problema estava nas mãos de quem comandava a cozinha, pois no Porto repeti a alheira e pensem só: divina. Mas voltemos à descida para Pinhão. A estrada é linda, cheia de curvas que permitem a visão das plantações de uvas nas encostas, passando por vilarejos e aldeias pequeninas. E chega-se à cidade, com sua estação de trem decorada com azulejos, com o Douro na proximidade da mão. Um rio magnífico, denso, caudal. Um rio que leva a memória, que facilita a fantasia. Ao seu lado passamos boa parte do caminho.

A Quinta do Panascal é uma propriedade da vinícola Fonseca Porto onde são produzidos alguns dos seus melhores vintages. Decidimos conhecê-la, pois era a única em que não precisávamos marcar hora para visitação, e já estava ali, à saída de Pinhão. Na chegada você recebe um mp3 player com explicações sobre a plantação, colheita e todo o processo de produção do vinho do porto. Com os fones no ouvido é só seguir as orientações e passear pela encosta, com a deslumbrante paisagem à sua frente. No final uma degustação e, claro, saímos com garrafas debaixo dos braços. Ainda temos, guardadas, duas esperando por ocasião propícia para serem abertas.

Seguimos para Peso da Régua – ah, os nomes das cidades portuguesas, como de alguns vinhos, são um post à parte. Imaginem Quinta das Pedrinhas, Pó de Poeira, Tapada de Coelheiros, Cancela Velha, Pêra Manca. Um verdadeiro jogo imagético. Mas já estou cá a desviar o pensamento. Na seqüência, paramos para o almoço em Peso da Régua. Sem muita graça, decidimos fazer um pequeno lanche e seguir viagem, afinal o Porto nos esperava. Um pequeno desvio até Tabuado para achar uma igrejinha românica, já citada aqui. Ao cair da noite avistamos as luzes do Porto no horizonte, onde passaríamos 3 dias deliciosos.

Alex

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Comments
2 Responses to “Nas margens do Douro”
  1. Lia Silva de Castilho disse:

    Prezado Alex,
    Sugeri a um casal, amigo meu, a leitura dos Viageiros como auxílio a uma viagem a Portugal que eles estão realizando neste mês de janeiro. Os dois adoraram a leitura e tomaram coragem para alugar um automóvel e chegar até Bragança como vocês fizeram. Quando eles voltarem darei notícias sobre suas impressões da viagem. Acredito que serão tão boas quanto as minhas e as suas. Espero que esta crise na Comunidade Européia não ofusque o brilho e a simpatia com que Portugal recebe a todos nós. Um grade abraço,
    Lia

    • viageiros disse:

      Oi Lia,
      Acabamos de voltar de Lisboa e, apesar da crise ser o assunto de todas as rodas, a simpatia portuguesa com os viajantes permanece. A cidade mantém seu charme e sempre nos encanta com seu maravilhoso céu azul. Nossas novas experiências serão relatadas proximamente.
      Um beijo!
      Antônio e Alex

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