Genebra

Chegar a Genebra num sábado de manhã significou encontrar as ruas do centro totalmente lotadas. As pessoas, num entra-e-sai pelas lojas, cheias de sacolas, mostravam-se alegres e felizes com as possibilidades quase ilimitadas do consumismo. Eu mesmo me beneficiei encontrando na loja fnac um dvd que já vinha procurando desde o início da viagem. As ruas ao redor da Rue du Marché impressionaram-me especialmente. Tentamos perguntar por um relógio específico na loja Swatch, mas não conseguimos nem mesmo algum vendedor que olhasse para nós. Eram muitos clientes para poucos funcionários. Na loja de departamento local – Manor – também lotada, havia filas enormes, mas em compensação, boas ofertas. Compramos vários presentinhos, vinhos, produtos de beleza, chocolates. Chegamos a nos perder dentro da loja.

Passado o momento das compras, fomos caminhando para a cidade velha, subindo as ladeiras, nos encantando com as vias estreitas e antigas que sobem em direção à catedral. Paramos para um descanso num café na Place du Bourg-de-Four. Fomos pegos de surpresa por uma rápida chuva. Ficamos algum tempo rodando pela região, admirando os prédios tão elegantes, as lojas moderninhas e, de repente, nos deparamos com a casa habitada por Borges, uma emoção. Grande escritor e viajante, parece ter amado a cidade onde viveu. Conheço pouco da sua obra, mas alguns de seus relatos de viagens reunidos em Atlas têm delicadas reflexões sobre a vida e sobre lugares por ele visitados.

Já no final da tarde, quando voltamos à área comercial próxima ao lago, uma outra cidade. Comércio fechado, ruas quase desertas, todos provavelmente em casa aproveitando de algum modo as compras feitas na manhã.

Genebra encantou-me por seu ar cosmopolita e internacional apesar de ser uma cidade pequena. Moderna e vanguardista, sem deixar de lado a tradição, como poucas cidades conseguem ser; intersecção da Europa, próxima a fronteiras territoriais e culturais importantes. Não sem muita surpresa, soube recentemente que as línguas mais faladas na cidade, depois da francesa, não são a italiana nem a alemã, e sim a inglesa e a espanhola. A impressão que tive foi de que todos os idiomas do mundo eram falados ali.

Antônio Paulo

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Comments
2 Responses to “Genebra”
  1. Carla disse:

    Em Genebra de fato se falam muitas línguas, por ser sede da ONU e tantas outras missões importantes mundialmente – além da presença dos diplomatas e funcionários dessas missões, quem presta serviço na Suíça raramente é suíço – para isso há várias nacionalidades que vêm tentar a “sorte”. Entre aspas porque é trabalho do tipo físico mesmo!
    Há 4 línguas oficiais, mas os Cantões não são integralistas. Existe inclusive uma rixa entre a parte alemã, que gosta de se manter fechada, com a parte francesa, que prefere abrir os horizontes do país. Uma colega da parte alemã disse certa vez: “ainda bem que somos maioria e ganhamos todas as votações”.

  2. Carla disse:

    Quanto aos sábados de compras: o comércio fecha religiosamente às 18h. Algumas lojas vão até 19h, e nas quintas todas ficam um pouco mais de tempo abertas (que varia de 30min a mais, a 3h, dependendo da loja também).
    Para as pessoas que passam o dia trabalhando, sábado é o único dia possível, descansado e certo para compras. De qualquer tipo: desde móveis a comida, roupas, enfim, qualquer necessidade fica agendada pro sábado! Até cabeleireiro…

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